A desordem em “Um dia no cais”, de João Antônio: categorização, postura e proposta em favor de um povo.

Leandro Oliveira Lopes

Resumo


“Um dia no cais” (1968a), de João Antônio, foi publicado na revista Realidade sob a categorização de “conto-reportagem”. Tal designação nos faz supor a mistura, em texto, de dois diferentes gêneros textuais oriundos da literatura e do jornalismo: o conto e a reportagem. Em confluência com pesquisa desenvolvida a respeito especificamente desta categorização, este estudo intenciona levantar uma nova hipótese para o entendimento do “Cais”2: embasados pelo “Dialética da malandragem” (1970), de Antonio Candido, argumentamos que João Antônio se posiciona favorável ao polo da desordem e deliberadamente o considera como o caminho natural tanto do entrecho do conto3 como da camada social a que aquelas personagens aludem, dessa forma denunciando o aprisionamento dessa classe em contraponto àquela que representaria a ordem brasileira. A despeito de uma suposta isenção presente no Memórias de um Sargento de Milícias (1852-1853), objeto de estudo original do ensaio de Candido, João Antônio adota uma postura propositiva em favor dos que considera representantes do povo brasileiro expondo através da perspectiva única dessa desordem não só os desafios da classe social que melhor a representa, mas também uma espécie de opinião a respeito do que seja uma ordem nacional.

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ISSN: 2177-1960