Intelectual periférico e sua poética da resistência: algumas considerações

Cleber José de Oliveira

Resumo


O cenário sociopolítico e cultural brasileiro do século XX fez germinar manifestações artísticas produzidas em meio aos espaços urbanos periféricos das cidades. De modo geral, essas manifestações são compostas de elementos das esferas de produção literário-musical, tais como: romances, crônicas, contos, poemas, o rap. Uma singularidade que a identifica é a origem de seus produtores que são, exclusivamente, oriundos das diferentes periferias nacionais. Entende-se aqui que essa nova manifestação, em vários aspectos, colide com a chamada Tradição Modernista, isso no tocante ao acesso à voz, onde autores pertencentes a classes sociais altamente letradas tomaram para si a função de representar as classes marginalizadas (principalmente o nordestino, o sertanejo, o negro, o favelado) a partir da literatura que produziram. Com o espraiamento dessa tradição (1965), a função que desempenhava seus intelectuais (o de representante das classes subalternas) fica vaga. Partindo desse pressuposto, o presente trabalho busca descortinar como se dão as relações de representação e autorrepresentação nessa nova expressão artística, a qual é denominada por seus produtores como literatura periférica/ literatura vira lata, composta por elementos como: uma poética literária do engajamento – o rap, contos, crônicas, romances, grafite, música, ativismo sociocultural nas favelas - , em detrimento ao modo de representação utilizado pelos autores modernistas. A hipótese principal é que essa função, que por muito tempo foi desempenhada pelos intelectuais modernistas, é, agora, reivindicada e tomada por indivíduos oriundos dessas periferias.

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ISSN: 2177-1960