O contradiscurso ou discurso carnavalizado e a infância transgressora da linguagem em Manoel de Barros.

Nathan Bastos de SOUZA, Moacir CAMARGOS, Fabiana GIOVANI

Resumo


A lusofonia é mãe de grandes autores que, especialmente no século XX, produziram uma literatura engajada com as questões da linguagem, tomemos alguns exemplos marcantes: em África, Mia Couto com sua criatividade textual; em Portugal, José Saramago que inova na construção e na pontuação, ou ausência dela; no Brasil, na prosa, um Guimarães Rosa, mestre de regionalismos e na temática sertaneja; na poesia, um Manoel de Barros, também mestre, mas em “invencionática” – uma arte que ele domina, a de inventar palavras, de “fazer os verbos delirarem”, de fazer “graças verbais”. O objetivo deste trabalho é investigar o devaneio poético de Manoel de Barros, através do livro “Poesia completa/Manoel de Barros”, que congrega poemas produzidos pelo autor durante o período de 1937-2007. O aporte teórico é o dos estudos sobre estética do arcabouço bakhtiniano. O paradigma indiciário (GINZBURG, 1989) será a metodologia com que analisaremos os metapoemas selecionados na obra. Os resultados apontam para o contradiscurso ou discurso carnavalizado e à infância encarnada como transgressora da linguagem. Podemos dizer, a guisa de conclusão, que o devaneio poético de Manoel de Barros é resultado de uma vontade pelo não-oficial, pelo pequeno, pelo sujo, pelo não valorizado, não aceito pelos outros.

Palavras-chave


estudos bakhtinianos; Manoel de Barros; Paradigma indiciário

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ISSN: 2177-1960